A surdez em idosos é um fator de risco para o desenvolvimento de demência, isolamento social, depressão e outros problemas mentais e cognitivos.
Avaliações auditivas regulares, o uso correto do aparelho auditivo e o acompanhamento com profissionais especializados são fundamentais para minimizar o risco de desenvolver demência e a sua progressão, na terceira idade.
A surdez na terceira idade vai muito além da dificuldade de ouvir os sons do dia a dia, sendo ainda, um importante fator de risco para o desenvolvimento de demência e outros declínios cognitivos.
A perda auditiva reduz a quantidade e a qualidade dos estímulos sonoros que chegam ao cérebro. Com menos informações para processar, determinadas áreas cerebrais passam a ser menos estimuladas, favorecendo um processo de atrofia neural ao longo do tempo. Esse enfraquecimento das conexões cerebrais está diretamente associado à piora da memória, da atenção, do raciocínio e da capacidade de aprendizado.
Além disso, o idoso com surdez não tratada costuma enfrentar dificuldades de comunicação, o que frequentemente leva ao isolamento social. A redução das interações sociais é um dos fatores mais relevantes para o aumento do risco de demência, pois o convívio, o diálogo e as trocas sociais são essenciais para manter o cérebro ativo e saudável. O isolamento também pode desencadear quadros de depressão e ansiedade, condições que, por si só, já estão relacionadas a um maior risco de comprometimento cognitivo.
Outro ponto importante é o esforço mental excessivo. Quando o idoso precisa “forçar” constantemente a audição para entender conversas, o cérebro direciona energia para decodificar sons, deixando menos recursos disponíveis para outras funções cognitivas, como a memória e o pensamento lógico. Com o tempo, esse esforço contínuo pode acelerar o declínio cognitivo.
Sabe-se que idosos com perda auditiva têm um risco significativamente maior de desenvolver demência em comparação àqueles que escutam bem. Dessa forma, o diagnóstico e tratamento precoce da surdez podem minimizar esse problema, bem como a sua progressão, preservando a qualidade de vida, a autonomia e a saúde mental desses indivíduos.
Cuidar da audição é, portanto, cuidar da saúde mental do idoso. Promover avaliações auditivas regulares, o uso correto do aparelho auditivo e o acompanhamento com profissionais especializados são atitudes fundamentais para um envelhecimento mais saudável, ativo e com menor risco de demência.